Como ter fé nos tempos modernos II: Meu Senhor e Meu Deus! (Parte A)

Como ter fé nos tempos modernos I: Verdades sobre a fé (Parte B)


Para entendermos um texto é necessário além de termos ele, conseguirmos trabalhar com o contexto para não criarmos pretextos e falsas deduções. O trecho que será abordado é o dos versículos 24 a 31 do vigésimo capítulo do Evangelho segundo São João, mas é importante conhecer todo este capítulo, para entendermos o contexto em que a cena de São Tomé é encaixada.

João narra a ressurreição de Jesus de modo bastante particular. O primeiro fato que desperta a atenção é que a ressurreição é manifestada “No primeiro dia que se seguia ao sábado”, o que justifica o fato de as celebrações cristãs se darem no Domingo e não mais no Sábado semanal conforme a tradição judaica. Há aqui, mais uma vez, uma nova e efetiva ruptura daquilo que Jesus já havia ensinado: “O sábado está feito para o homem e não o homem para o sábado”. (Mc 2,27). Nesta questão, os quatro evangelistas concordam com a Ressurreição de Cristo aconteceu no primeiro dia da semana, que corresponde ao Domingo de agora (Mt 28,1; Mc 16,2; Lc 24,1; Jo 20,1 e 19).

Ainda no primeiro versículo uma segunda quebra de paradigma. Em uma sociedade totalmente masculinizada e extremamente machista a primeira que vai ao sepulcro é uma mulher: “Maria Madalena foi ao sepulcro”. Por que Maria Madalena e não Maria, Mãe de Jesus? Por que Madalena e não um dos discípulos? Por que Maria Madalena e não você?

Por fim, a introdução do capítulo ainda trás outra informação extremamente relevante. Embora tenha se dito o dia: domingo, faltou o momento, o período que além de ser citado é qualificado: “de manhã cedo, quando ainda estava escuro”. A ressurreição poderia ter acontecido no meio do dia, à luz do dia na frente de todos, mas ocorreu de forma discreta e tal como deveria ser. Ela foi constatada de manhã cedo, o que nos remete ao “No principio...” (Gn 1), quando ainda estava escuro (no principio não havia luz, nem claridade). Cristo mostra-se como a luz que surge quando ainda estamos nas trevas.

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