Como ter fé nos tempos modernos I: Verdades sobre a fé (Parte B)




“Crer, de fato, significa, no Antigo Testamento, entregar-se a Deus (Gn 15,6; Ex 14,31; Nm 14,11), entregar-se à palavra salvífica de um Deus que conduz a história, e que fez aliança primeiro com os pais e depois com ‘seu povo’, Israel” (Latourelle, 1994, p. 319).

Tendo como referencial o Antigo Testamento, em especial o livro do Gênesis, percebemos a correlação entre a obediência, a fé, e a confiança do homem em Deus. E na unicidade destes conceitos. Neste caso, a fé está relacionada a aceitar o que se acredita como verdadeiro, enfim o ter fé deve ser compreendido como ser fiel a Deus.

A fé na primeira parte da Bíblia consiste também em crer nos eleitos por Deus, bem como nas palavras proferidas por eles, por meio da revelação divina, ou seja, pela vontade do Senhor, geralmente transmitida por meio de profetas.

Ainda no Antigo Testamento, encontramos o sentido de segurança que a fé possui. De acordo com o Salmo 36, Deus é digno de fé, uma vez que Ele oferece segurança por meio de sua imensa fidelidade.  No livro de Habacuc encontramos a profecia que se cumpre eternamente “o homem que for fiel à Aliança de Deus, pela sua fé, será salvo” (Hab 2,4). Posteriormente São Paulo retoma este conceito, que gera na Reforma Protestante alguns desentendimentos, no tocante a livre interpretação e principalmente na leitura do texto isolado, sem considerar-se o contexto e outros textos.

Quando se faz uma análise aprofundada da Sagrada Escritura, percebe-se que a Fé é mais experiencial do que conceitual, fugindo dos preceitos intelectuais e fórmulas pré-fixada. A Fé no Antigo Testamento é vivida, aprendida, transmitida pela ação e não pelo conjunto de vontades de crer nas promessas de Deus e na fidelidade em cumprir o que fora dado pelo Criador: a Sua Aliança.

De acordo com Latourelle, o Novo Testamento:

Devido a seu caráter interpessoal, esta fé é naturalmente semelhante à do AT. É respectivamente confiança e entrega a Deus, presente na palavra e na ação de Jesus (sinóticos); Obediência que torna o crente semelhante ao crucificadoressuscitado e que dá o Espírito dos filhos de Deus (Paulo); adesão ao testemunho do Pai e do Filho (João) (Latourelle, 1994,p. 319).

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