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Mostrando postagens de 2017

Sem Dores

12 Vidas 02: Velório do Antônio

- Ele era um excelente rapaz!
- Todo mundo gostava dele!
- Não merecia essa morte!
- Coitada da mãe dele!
- Pois é... Que absurdo!
- Por que os jovens vão tão cedo?
- Ele sempre foi tão risonho!
- Todos o amavam!
- Eu não consigo acreditar, por que ele meu Deus?
- Nem viveu tudo que tinha pra viver!
- Tinha um futuro tão promissor!
- Era fantástico!
- Eu quero ir junto com você! Não me deixe!
- Eu te amo filho!
- Papai, você 'tá dormindo?
- Eu queria ter te ajudado mais!
- Ele sempre me ajudou tanto...
- Eu não gostava muito dele, mas todos diziam muitas coisas boas a respeito dele!
- Era um bom rapaz!
- Vá em paz!
- Queria que não fosse verdade!
- Lembro quando os primeiros dentes dele nasceu...
- Ele só colheu o que plantou!
- Depois que ele matou aquele homem, ele mudou muito!
- Sofreu muito esse homem!
- Foram quantos tiros?
- Meu filho: Não me deixe!
- Ele sempre foi tão lindo!
- Rosto de anjo!
- Não merecia ter morrido assim!
- Foi assassinado covardemente!
- Não queria vir…

12 Vidas 01: Nó na garganta ou Duas vidas ou Pai e Filha

- Papai, papai...
A voz ainda sonolenta da doce menininha apresentava um ar de susto e medo. Seu pai pôs-lhe a mão em seu rosto e lhe disse:
- Estou aqui minha princesinha!
Lúcio ficou surpreso com o despertar de sua filha. Não fizera barulho algum. Resolveu passar no quarto simplesmente para dar um suave beijo na testa de sua bela princesinha, que já dormia com um ar angelical. Entretanto, não tinha pretensão de acordá-la.
- Desculpe-me querida! Não queria acordá-la...
- Não me acordou papai... Eu estava tendo um pesadelo!
- Não se preocupe. Foi somente um sonho Angélica. Apenas um sonho...
- Mas foi ruim papai, muito ruim.
A voz da pequena criança, de apenas sete anos de idade parecia não querer sair. Ela estava com um tom de voz de quem quer chorar. Seu pai tentou acalmá-la, resolver apertá-la em um forte abraço.
- Quer me contar o pesadelo agora?
Angélica sussurrou:
- Papai...
Ela relutou em prosseguir. Estava com os olhos demonstrando que o sonho, realmente a aterrorizar…

Estação Esperança - Capítulo 1

25 de novembro. Essa era a data que estava nos calendários da loja. Sempre passava por ali, trocava a folhinha para atualizar a data, colocando o dia de hoje. Na verdade fazia isso sempre pela manhã, sei lá, gosto de começar o dia com essa informação ali, para todos verem que o novo dia começou. Mas de qualquer jeito eu tinha que fazer, porque senão ninguém faria. Mas nesse dia 25 quando abri a pastelaria onde trabalho vi um senhor sentado no chão, achei que estava passando mal e logo perguntei se ele precisava de alguma coisa. _O senhor está bem? Quer que eu lhe ajude? _Obrigado rapaz - respondeu o velho com ar de cansaço - só estou deixando o tempo passar um pouco para voltar para minha casa. Minha filha brigou com seu marido, e ele acabou batendo em meu neto. Saí pois não aguentei ver a cena. Fiquei com sentimento que alguns definem como dó do velhinho, pois não sabia se eu poderia ajudar de alguma forma... _Daniel! - meu chefe falando aos berros me chamou - anda logo q…