sábado, 22 de julho de 2017

12 Vidas 01: Nó na garganta ou Duas vidas ou Pai e Filha

- Papai, papai...

A voz ainda sonolenta da doce menininha apresentava um ar de susto e medo. Seu pai pôs-lhe a mão em seu rosto e lhe disse:

- Estou aqui minha princesinha!

Lúcio ficou surpreso com o despertar de sua filha. Não fizera barulho algum. Resolveu passar no quarto simplesmente para dar um suave beijo na testa de sua bela princesinha, que já dormia com um ar angelical. Entretanto, não tinha pretensão de acordá-la.

- Desculpe-me querida! Não queria acordá-la...

- Não me acordou papai... Eu estava tendo um pesadelo!

- Não se preocupe. Foi somente um sonho Angélica. Apenas um sonho...

- Mas foi ruim papai, muito ruim.

A voz da pequena criança, de apenas sete anos de idade parecia não querer sair. Ela estava com um tom de voz de quem quer chorar. Seu pai tentou acalmá-la, resolver apertá-la em um forte abraço.

- Quer me contar o pesadelo agora?

Angélica sussurrou:

- Papai...

Ela relutou em prosseguir. Estava com os olhos demonstrando que o sonho, realmente a aterrorizara.

- Pode falar minha princesinha...

- Prefiro não reviver neste instante tudo de horrível que acabei de sonhar.

Constantemente, Lúcio se pegara refletindo sobre o amadurecimento de sua princesinha. Cada vez mais ele se interrogava sobre como ela estava falando como uma adulta, com pensamentos e consciência de gente grande. Talvez, ela não estivesse tendo a infância adequada.

- Tudo bem. Não precisa falar! Mas seja lá o que tenha sonhado, não se preocupe, foi apenas um sonho.

Neste momento a doce e inocente criança, que estava deitada naquela confortável cama e coberta por um espesso edredom amarelo com flores lilás e vermelhas, pegou a mão de seu pai e segurou firme. Olhou para cima e viu dentro dos olhos do pai. Ele esboçou um sorriso. Ela então disse:

- Papai: promete uma coisa para mim?

- Qualquer coisa meu anjo!

- Você promete que nunca vai fazer como a mamãe?...

Um nó se formou na garganta de Lúcio. Não conseguia falar. Por um instante, parecia não saber se ouviu realmente aquela frase. Ele pareceu indefeso, sentia-se sem chão. Sem suporte, sem ter para onde correr, sem saber para onde olhar, sem saber como reagir. Tentou falar, e proferiu as seguintes palavras:

- Não fazer o quê meu ano?

Suas palavras eram quase um demorado suspiro, praticamente inaudível, percebido pela linda menininha simplesmente porque a noite estava totalmente silenciosa.

- Papai, você promete que nunca vai morrer?

Com o silêncio do pai, Angélica ainda completou:

- Papai... Eu entendo que, às vezes, eu não me comporto e que de vez em quando eu apronto e não sou uma boa filha. Tem vez que eu até falo palavrão e faço má-criação... Mas acho que isso não é motivo para você me deixar. Já perdi a mamãe. Não quero ser abandonada por você também. Promete para mim que você nunca vai me deixar papai, eu não quero sofrer de novo...

Lúcio simplesmente abraçou sua filha e adormeceram ambos com um carinho imenso. Naquela noite, nenhum dos dois disse mais nada. Lúcio não podia responder. Na verdade, ele não sabia como responder. Resolveu acreditar que o tempo cicatrizaria a ferida no coração de criança de sua princesinha.

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