segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Feliz Ano Passado!

Mais um ano, novamente aquelas mensagens de Natal e de desejos de um ano novo melhor, com saúde e blá, blá, blá, que estamos todos acostumados a ouvir neste período!
Mas cabe também, neste período, começar a relembrar das coisas boas e ruins que aconteceram. É um momento de reflexão e pensar se realmente valeu a pena o ano de 2008. Começando a pensar hoje se minha vida este ano foi boa, ou se o mundo este ano melhorou ou se na ganância humana só destruição causou.
Teve menina novinha sendo atirada da janela do apartamento, supostamente pelo pai e o sobrenome da família virou sinônimo de coisa ruim, que nem ouso pronunciar.
Teve criança sendo arrastada pelo carro, teve seqüestro no estado de SP que durou vários dias, com agonia das famílias e com final trágico, fazendo a seqüestrada morrer pelo amor doentio de um jovem que, talvez, - digo talvez porque quem sou eu para afirmar-, não soube amar!
Teve também diversas manifestações nas areias das praias cariocas, de rosas a cocos representando as vítimas da violência. Se fosse uma obra de arte de repente não fosse tão belo...
Teve jogos olímpicos em um país ocidentalmente desconhecido. Teve chuva de granizo em Belo Horizonte que devastou a cidade e deixou a população “sustada” e no sul, tempestade que mobilizou o país inteiro. Tiveram também guerras no oriente, eleições históricas como a de um negro nos EUA e uma campanha no mínimo diferente em Belo Horizonte!
Teve, também anarquistas querendo tomar o poder na Grécia, caso e escândalos envolvendo artistas e famosos.
Teve problema ambiental.
Tiveram crianças mortas por pais, pais que mataram filhos, bebês achados e perdidos como mercadoria em uma sociedade surreal!
Escândalos políticos e crise econômica mundial. Teve morte e nascimentos, teve choro e sorriso!
“E hoje tem palhaçada? Tem sim senhor!” E hoje tem uma expectativa positiva para o nosso futuro? “Tem sim senhor!”

domingo, 14 de dezembro de 2008

Estranho, mas só sei ser assim!

É estranho o homem se dividir entre o bem e o mal!
É estranho o curto espaço que separa a alegria de um sorriso e a tristeza de uma lágrima!
É estranho o que distância a frieza do calor de duas almas em fração de segundos incronometráveis.
É tão estranho o que nos faz seres duais...
E a dualidade humana torna-nos seres estranhos!
Somos tão estranhos que nem assumimos nossa estranheza.
Erros e acertos caminham lado a lado e em estradas que se cruzam a cada centímetro, a cada milímetro, a cada espaço físico ou imaginário.
Sou estranho e estranhamente gosto disto...

Gosto de ser bom e adoro ser malvado,
Embora não me sinta um vilão ou um ser do mal, apenas faço o bem do modo errado,
Pode até ser que isto não se justifique, mas as conseqüências vão futuramente falar-me isto...
Protagonizo e antagonizo minha vida, enquanto alguns agonizam em seus dias na terra!
Busco meu destaque em meus passos que escrevem trechos no livro da vida!

Se, se é estranho ser estranho para o mundo, para mim estranho é ser normal!
Se é que isto existe ou vai existir algum dia!
Minhas atitudes não condizem com minhas palavras
Suas ações não me satisfazem
Seu choro não me comove
Seu riso não me alegra
Falsidade e incertezas, medos e verdades em teu olhar
Viajo pelas estrelas de tua face
E ando, como outro poeta dissera outrora, pelas luas de BH.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Memórias de Fê Vividas em uma Tarde Primaveril

Quero lavar minha alma com água pura, cristalina e doce que faz renascer e renova meu ser, porém sem perder nesta limpeza as lembranças que me animam e me fazem crescer. Que edificam meu espírito e consolidam meus passos em uma estrada fria que me conduz ao início.

Quero acordar e ver o mundo de dentro para fora, do lado escuro pro claro, da esquerda para a direita, de baixo pra cima, da fonte para o mar, do meu micro universo para o infinito.

Quero poder olhar para o relógio e não enxergar a hora porque quando estou com você um segundo equivale a uma vida e cada fração do mesmo que passo distante de ti é uma morte!
Quero sentir novamente teu cheiro, sentir o sabor de tua boca, teus lábios nos meus, a barba e o boné, os carros passando pela avenida e as pessoas observando...
O piercing, que poderia ser incomodante serviu como um acessório que complementa teu ser. Tuas mãos sabem caminhar sozinhas pela minha face e me transportam para um universo onde o pecado contribui para a felicidade no paraíso. Não sei onde colocar minha mão em teu corpo, talvez porque meu desejo fosse te compactar e comprimir, guardando-te dentro do meu peito como em um processo osmótico no instante em que sinto todo o seu corpo sobre meu dorso.

Uma sensação indescritível. Novidades que não são tão novas, mas que aconteceram de uma maneira tão especial ao ponto de me fazer sentir bem. A emoção domina a razão e o medo de ser visto tornou-se apenas mais um ingrediente que não foi necessário na despedida.

Contigo consigo ser uma criança que na pureza fala as peripécias as quais aprontou durante o dia, falando a verdade integralmente, correndo o risco de ser castigado por má-criação cometida em outrora, mas mesmo assim pretendo manter-me assim com você: transparente!

E por fim, quero erguer minhas mãos para o céu e agradecer por conhecer-te!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Se Perdendo

Simplesmente se perdeu... Todo o sentimento mais puro e humano que ainda havia em meu ser deixou de existir em pouco menos de cinco minutos, tempo aparentemente curto, um terço dos tão falados quinze minutos de fama, mas apenas 5 minutos foram suficientes para me buscar do mais alto céu e me transladar ao mais profundo dos infernos... Foram suficientes para tirar o sorriso de meus lábios e fazer escorrer sob minha face um salgado líquido ao qual não me atrevo a nomear de lágrimas, pois parecia um rio que anseia pelo mar e não caía em gotas como normalmente se imagina e se vê. Escorria como um corpo em queda livre desamparado por qualquer tipo de resistência.

Eu também não tinha resistência, permanecendo estagnado e ficando e não houve reação...

O que algumas palavras não são capazes de destruir ou construir?

Sorriso no rosto e ausência de lágrimas nos olhos: lágrimas na alma! É pior e mais dolorido...

Não me perdi no espaço físico, perdi-me de mim mesmo em um espaço de tempo irreal em um momento quase ficcional, inexistente e incompreendido, assim como estas linhas, confuso...

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Interrogação

Interrogação. O que vai ser daqui para frente(?) Outra Interrogação daquelas bem grandonas.
É difícil começar um texto com interrogação, embora todos comecem desta forma. Sempre há aquela duvida: será que está bom? Mas é difícil também dar qualquer passo na vida sem se perguntar: e agora? Não precisa nem ser José... Simplesmente, e agora?
Dúvidas surgem em tempos de conturbação ou não, mas nestes momentos atingem até mesmo pessoas de estruturas aparentemente inabaláveis, às vezes estas são mais facilmente atingidas ou reagem de modo a parecer mais prejudicadas, talvez isto se dê, divido ao fato de que pessoas que sofrem todos os dias já estão acostumadas, pessoas que tem problemas em todos ou pelo menos na maioria dos momentos da vida tendem a se mostrar menos vulneráveis a novos desastres emocionais, uma vez que já passaram por coisas piores e fundamentalmente.
Eles têm certeza que nenhuma ferida dói para sempre nem dói com a mesma intensidade em pessoas distintas uma vez que cada ser tem uma sensibilidade diferente para cada situação e a mesma pessoa reage de modo diferente dependendo dos fatores que a influenciam...

domingo, 16 de novembro de 2008

Contraposição e pensamentos soltos

Ontem tive vontade de chorar, mas já sou grandinho e tive que suportar. Sorri um riso amarelo e sem vontade e fingi ou fiz-me forte.

É tão triste saber que as coisas ruins também acontecem conosco. É muito ruim saber que a dor faz parte da vida e que a morte é conseqüência da vida, porque todo aquele que vive um dia, morrerá.

Mas por que pensar nisso hoje? Você ainda nem completou vinte anos... Porque aqueles que amamos também morrem independente do time que torce ou do sexo, da raça ou da cor da pele, independente de qualquer fator, e é tão triste saber que as pessoas sofrem, mesmo assim, tenho que sorrir, afinal, ter esperança faz parte da vida.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Hoje

Hoje é tempo de ser feliz
Hoje é dia de amar
Hoje é a única coisa que existe
O único momento
Não imagine o que vai acontecer ontem
Tão pouco, pense no que poderia ter feito
Não fique pensando no que aconteceu amanhã
Nem no que irá dar errado,
Pois coisas erradas acontecerão...

Sorria!
Hoje, amanhã e sempre viva o agora!
Está é a hora de mudar!
Caso fira-se, contribua para cicatrizar depressa!
Se te ofenderem, ignore.
Mas não deixe de amar.
Pelo menos, na pior das hipóteses, Ame-se!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Para não falar que não falei de amigos...

“Não vamos perder de vista nosso ponto de partida”
Santa Clara
Uma coisa muito legal que todo mundo tem é amigo!
E era tão bom quando éramos amigos - se é que isso é possível: deixar de se ser amigo... Era tão alegre poder sorrir e abraçar sem medo do que vão achar.... Mas quando se perde alguém dá um friozinho na barriga e um vazio na cabeça que parece não se justificar! Covardia de Deus que nesta hora parece ser a mais-malvada-de-ruim e feia das criaturas... Egoísmo nosso! Achar que as coisas e pessoas boas têm que ficar conosco o resto da eternidade. Mas que bom se assim o fosse...
Só espero não perder de vista o ponto de partida... Que é para onde provavelmente voltaremos ou pelo menos, se conseguirmos olhar pra este início onde éramos, literalmente, nada perceberemos o quanto evoluímos e ficamos melhores do que um dia fomos e se somos melhores do que antes culpa também de nossos amigos...

sábado, 8 de novembro de 2008

Aula de Português em plena noite de sábado! Affff!!!

Ser
Estar
Parecer
Ficar
Permanecer
[...]
'Tá faltando isto em nossas vidas...
Falta ligação entre os sujeitos e os predicativos dos mesmos
Os objetos estão cada vez mais indiretos
Precisando mais e mais de preposições
[proposições preponderantes intercaladas à conjunções
Quem entende isso? Quem as decora? Ai, ai...
E os ajuntos ad-alguma-coisa estão
[cada vez menos ad
Se a proposta é reformar a língua
Deveriamos primeiramente reformar o ser humano
Cada vez mais desumano!
Desumano, cada vez mais, sem H

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Acidente de cada dia hoje nos livrai hoje!

Ficou um pouco grande este post, mas é o que aconteceu, não tem como simplificar...
Fiquei parado depois que a moto tombou! Foi veículo para um lado e motoqueiro para o outro e eu inerte no meio da avenida. O cenário complexo e marcante: de um lado todo os carros perfilados obedecendo a lei, afinal semáforo vermelho é para isto. Veja só, a motocicleta não parou e seu piloto beijou o asfalto... Do outro lado da avenida diversos jovens esperavam a leve chuva passar, e no momento, embora, a minha atenção estivesse aplicada nos dois objetos caídos no asfalto pude ouvir um grito único e que parecia ter sido ensaiado por dias expressando o pavor e medo dos jovens que saiam daquela instituição de ensino. Olhei para o homem: medo, dor, vontade de perguntar se machucara, olhei para o estado da moto. alguns pequenos pedaços do veículo se soltaram e voaram para as margens da avenida. Um senhor no volante do carro ainda disse enquanto arrancava seu veículo:

- Pode ir embora garoto! Ele é quem estava errado! Ele que avançou o sinal!

 Mesmo assim, permaneci parado, isolado numa ilha entre dois mares agitados de carro.

Quando criei coragem para ir em direção ao acidentado e/ou causador do acidente minha atenção se voltou para o outro lado e um jovem garoto falou: _Vai lá não! Apesar dele estar errado ele vai acabar te batendo!
Mais um pouco de reflexão. Muita coisa acontece com agente em tão pouco tempo. Por milímetros não fui atingido, meus reflexos estavam bons, tive a sensação de ter desviado a perna esquerda.

Por fim, ainda parado, um infeliz que não havia presenciado a cena gritou da janela do carro para prestar atenção na hora de atravessar as ruas. Xinguei ele, ele acelerou e partiu.

Não conseguia deixar de olhar para o motoqueiro. Eu estava atrasado mas atravessei na faixa enquanto todo os carros já haviam parado e o “homenzinho” estava verde. E só fui defrontar com o motoqueiro na terceira faixa de carros.

Em segundos vivi momentos contraditórios e experimentei reações confusas. Agitação e euforia, medo e vontade de reclamar: silenciei não por opção, não sabia o que falar. Não tinha como reagir. E agora? O motoqueiro poderia ter ido atrás de mim para tirar satisfações, apesar de ele estar errado!

Mas todos erram. Talvez ele estivesse atrasado, mas se ele estava apressado tinha motivo, todos temos motivos. O atrapalhei. Peço desculpas pelos danos físicos embora não me sinta culpado.

O tempo é senhor do destino, não adianta correr para antecipar o fim, tudo tem um tempo. Corremos as vezes para fazer algo e nem nos damos conta do risco que corremos! Deus o abençoe!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Vontade de Ver o Mar




João Raimundo saiu do interior querendo ver o mar. Ele juntou dinheiro por anos para ter direito às férias de sua vida. Deixou de descansar por vários dias fazendo horas extras, vendeu, anteriormente, os dias de férias por alguns anos, deixou de levar a esposa nos bares e festas nos finais de semana para poder realizar seu sonho, que não era só seu, mas sonho este, que ele decidiu se dedicar afinco! Conseguiu! Era amanhã. O dia do embarque para a melhor viagem de todos os tempos! Sentia-se como uma criança! Iria sentir o vento do litoral, sentir o gosto salobro do mar, queria molhar o corpo e lavar a alma na mais bela praia do país. Na mais bela areia do planeta, no melhor local para se estar seja sozinho ou acompanhado.
Mal conseguiu fechar os olhos naquela noite, ele checou as malas por vezes incontáveis. E acordou na manhã seguinte com a sensação que esquecera algo. Refez o “check list”. Estava tudo certo. Faltava pouco para sair de casa, muito pouco mesmo, mas faltava...
No dia seguinte Ana Luiza, esposa de JR, como todos o conheciam enquanto ainda vivia, não sabia como se portar no enterro do tão amado marido que não teve tempo para procurar um médico para saber como estava à saúde Morreu de parada cardiorrespiratória no momento que saiu no portão. Seu sonho só se realizou após a morte: suas cinzas foram jogadas no oceano. Só assim, agora, para ele conhecer o mar.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Dois parágrafos compostos por 69 palavras dispostas em poucas linhas, sobre o amor.


No olhar perfeito e complexo composto, inclusive, pelo sorriso intangível e profundo da pessoa amada quero perder eternamente minha alma entregue ao demônio ou anjo chamado amor, que invade os ossos, fere os músculos e preenche os átrios e ventrículos tanto direitos quanto esquerdos...
Não espero o ser humano correto, nem necessariamente que apareça na vida na hora e momentos certos, basta que surja e nos façamos feliz reciprocamente.

Prato do Dia

_ Vai "cumê" mais não Lipe?
_ A comida está ruim mãe!
_ ‘Tá ruim é?! “Gradece” a Deus que o “cê” ‘tá “cumeno”!
_ Aí! Aí mãe! E eu sou quem está errado?
_ É! Reclamá com barriga cheia é pecado!
_ Mãe, mentira é pecado?
_ É Lipe! Minti é pecado!
_ Se mentir também é pecado?! Para que eu vou falar que a comida está boa se estou achando ela ruim! E estarei pecando do mesmo jeito?

(...)

_Ih! Num “cumplica” não! Cala a boca e termina de "cumê"!

(...) Está vendo como as coisas são? (...)

Se a comida está ruim e você reclama está errado, se mente falando que está boa...
Erra também!
E muitas vezes, mente-se por atos e palavras, gestos e omissões.

Tem horas que a comida está ruim e agente tem que enfiar na boca e comer calado! Porém deve-se tomar cuidado! O alimento pode não ser muito bem digerido pelo nosso estômago...

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Coisas de Casais

Eliane acordou feliz naquela manhã. Não são todos os dias em que se completa 48 anos de casamento. Não é todo casal que suporta ou consegue chegar a este tempo de união. Não que Eliane estivesse totalmente satisfeita com seus 17.532 dias de matrimônio, passados ao lado de um homem que já não era mais o mesmo com quem ela se casara a quase 420.768 horas atrás – isto é, quase meio milhão de horas. Mas a data era um marco para ela, que no início sentiu-se meio imposta a se casar, porém, o que ela pensou naquele dia, a fez não dormir a noite, até porque esperava uma surpresa da parte de Oswaldo, que de fato a surpreendeu, chegando à manhã do dia seguinte completamente bêbado e desorientado.
Durante a tarde “Li” pensou há quanto tempo não era chamada assim? Há quanto tempo não mantinham a televisão desligado no domingo? Quando foi a última vez que ouvira a frase “Eu te amo” ou algo semelhante? Bem, a reposta desta questão, pelo menos, era fácil: há 3 anos em seu aniversário de 65 anos, seu único filho dissera isto pouco antes de sair de carro para comprar um bolo para festejar, quando nunca mais voltou. Era a violência urbana. Mas não se deixou abater, Oswaldo a fez perceber que a vida não acabara ali. Mas depois disso ou antes disso o que estava acontecendo com a vida dela? Não era mais vida, não conversava com seu bem de noite na cama, não sorria, nem faziam caminhadas. Será que se tratava da decadência? Culpa da idade? Ou da falta de vontade? Era a eternidade? Uma vez que o amor que dantes era eterno, agora chegara ao fim?
Por fim, Eliane continuou pensando antes de falar qualquer coisa com seu bem-aventurado marido!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Sinfonia dos Sonhos (Marcus Viana)

Os planos
E Os sonhos
que ardem em nós
diamantes no fundo
de um rio a rolar
Cometas pelo céu
Os sonhos são assim
Essencia luz das constelações
a plenitude do fim
Seguea nave vida
pelo azul
e os nossos desejos
vão além além
Teu corpo
Alegre
Colado ao meu
A vida
Pulsando
Na luz dessa manhã
Um novo mundo vem
Nos estaremos lá
Nas praias de um futuro bom
Grãos de Areia a brilhar ...

Uma noite

“Cada doença pertence a um doente. Cada doente tem uma mente. Cada mente é um universo infinito.”

Augusto Cury

Há mais de uma semana ela não conseguia dormir direito. E Clarisse adormeceu. A dor fatigava-lhe, não agüentava mais. Há dois anos estava enclausurada naquele hospital. Não recebia mais visitas constantes. Sabia que aquele seria seu último lar. Mas a dor maior era o abandono. Abandonada pelo marido, pelos filhos, pelos amigos, por Deus. Pobre Clarisse! Mas o pior abandono era o dela mesma. Não queria mais viver. Queria que Deus se redimisse dos pecados dele e ao menos fosse justo e a levasse dali. Blasfêmia! Era o que todos diziam quando expressava sua teoria. Mas pouco se importava para a opinião dos outros. Ainda não tinha compreendido porque chegara aquele estado. Não entendera até aquele momento o motivo de sua existência, não queria pensar nisso agora, por qual motivo pensar na vida, quando a morte bate a porta como se fosse arrombar a morada? E naquela noite, ao contrário dos últimos dias, ela pousou a cabeça no macio travesseiro e repousou tão leve e serena como nunca fizera antes... Era o começo...

Falar o quê?

_Sorria André!
_Por quê?
_Porque hoje é um dia ótimo!
_P’ra você!
_Nossa... Que mau humor
_Nada...
_Vixi... ‘Tá afetado!
_Vai se.... (...) To nada! É o calor
_Hãn hãn! Sei. Que foi?
_Já disse! Nada!
_Que nada que nada, já viu alguém ficar assim por nada?
_(Impaciente) Vai continuar insistindo?
_(Sorrindo) Sim...

(....)
André levantou a barra da camisa, sacou de sua cintura uma arma calibre 38 e alvejou seu interlocutor com três tiros. Dois na cabeça e um no coração.


Às vezes as pessoas só que se calar, precisam de silêncio e de um tempo para pensar...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Final de Semana

Domingo passado meu vizinho me chamou para jogar bola no campo da fazenda. No sábado, abri a última gaveta do guarda-roupa do meu quarto e deparei com minha coleção de cartões. São mais de 2.000 unidades amontoadas em duas pastas e alguns misturados no fundo da gaveta com papéis velhos e novos que se confundem e se degradam com o passar dos dias.
Saí no quintal e ao olhar para cima... vejo vários cocos em tempo de serem apanhados, cocos nucifera L da família das Arecaceae, enfim, coco da baía mesmo, embora discorde desta nomenclatura, uma vez que o coqueiro lá de casa é muito mais mineiro que “nordestino”, já que qualquer lugar ao norte do sudeste é chamado de nordestino. Mas voltando ao que dizia, olhei aquelas obras da criação divina e não tive dúvidas. Lá fui eu fazendo estripulia, armei a escada. E arriba! Quer dizer e subi e peguei os cocos e desci e tomei muita água do seu ventre, digo, do seu interior. Calor, primavera com cara de verão. E a região metropolitana de Sabará está cada vez mais quente nos últimos dias.
Mas não fui jogar bola neste final de semana, também não organizei os cartões, tão pouco, cortei o cabelo, quanto mais a barba, apenas pensei, refleti, li, brinquei, chorei e sorri.
Foi um final de semana normal, subi em pé de manga taquei pedras pro alto sem motivo aparente, comi jambo ainda verde e também maduro, vi a destruição e observei o futuro.
Não foi um fim de semana bom, relembrei coisas que não queria mais saber que aconteceram e relembrei coisas que ainda vão acontecer como dito, não foi bom, foi maravilhoso.
A felicidade não está no outro parte do interior e se encontra em cada sementinha por mais simples e imbecil que possa parecer!

Contradição

Só por instante quero estar preso por vontade própria
Em um universo infinito que se forme por e para mim
Quero viver sem precisar de correntes
Amarrado ao céu e as estrelas que se fazem presente
Sem sentir o mundo que sente a falta de ser feliz
Sem necessariamente entender a demanda da fé
Crer naquilo que não se vê, sem medo de se fazer bem
Quero fazer o mal ao menos uma vez
Quero atormentar o coração de quem eu amo e me deixa amar
Quero envenenar a alma e o corpo daqueles que me fizeram mal
Mas quero em um segundo que seja falar o que ta aqui
Que está preso em minha traquéia e é regurgitado agora
Falar todos os termos que humilhem e derrotem o inimigo
Quero ser mais egoísta do que sou
E ser mais odiado do que amado,
Quero viver sem precisar ligar para o que você me diz
E dizer aquilo que você tem medo de ouvir
Porque tu sabes que se decepcionará
Amor te mata
A morte mata
Amar-te Mata-me
Mata
Morte
Mote
Amar-te
Morres tu
Porque em mim pra sempre vai haver o sentimento de contradição!

Pisando em Papel

Acordei falando isso umas duas vezes seguidas sem saber o significado. Levantei e continuei pensando no significado destas três palavras: pisando em papel! Já ouvi diversas vezes a expressão pisando em ovos, porém em papel nunca tinha ouvido antes. Não fiz e, talvez ainda não faça, a menor idéia do significado do que disse, pode ter sido algo remanescente de algum sonho ou pesadelo, até porque, se foi ou não, de verdade, não me lembro.
Só sei que depois de repetir os três termos não consegui mais dormi. Fiquei esperando o alarme do celular me lembrar que estava na hora de arrumar para mais um dia, para mais uma terça. Porém, uma terça-feira, 28 de outubro diferente, pois passarei o dia inteiro tentando desvendar o mistério das palavras que dizemos sem saber o que significam. Bem dos males, o melhor, pelo menos não sei o que disse enquanto ainda, de certa forma, dormia, enquanto tantos outros insistem em falar tantas coisas sem nenhuma utilidade estando acordado... Mas para garantir vou tentar passar o dia “pisando em papéis”.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Sensações...

Acordei com a sensação de ainda estar dormindo, isto, talvez, porque não quisesse estar no mundo naquele dia. Simplesmente se perdeu... Tudo o que eu mais queria não poderia mais ter, se fez desilusão, enfim, não deu. Fiz de tudo para tentar não perder, mas a vida é um jogo, o qual não admite empates, ou se perde ou se é vencido, ninguém ganha, o destino final é um só pra quem passou a vida inteira sorrindo e pra quem chorou durante todos os dias da vida.

Viver não é sorrir trinta horas por dia, nem querer ser bom naquilo que não sabe-se fazer, este é o meu mal maior e maior medo: querer ser aquilo que os outros querem que eu seja, mas sou o que a sociedade deseja que eu fosse, e não realmente o que eu queria ser.

Que sensação estranha, talvez o que há de mais bonito em nossa relação é que a primeira vez em que você disse me amar foi quando terminamos aquilo que não deveria ter começado. Mas, talvez o fato de sermos dois adultos com coração (e mente) de criança tenha nos feito tão bem, crianças que brigam por causa de um brinquedo e que no instante seguinte brincam porque nada importa além da amizade e se houve briga ou desentendimento é natural, o que não é normal é permanecer sem compreender o outro.

Ainda tenho saudade de mim quando era feliz e sentia-me assim. Tenho saudades de mim quando éramos dois. Saudades de ti, não mais, apenas uma estranha sensação que me faz acordar com vontade de estar dormindo pra perceber que a vida não passa de um sonho...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Mas nem tudo está perdido!

A simplicidade de se estar sorrindo
Faz-nos sempre mais unidos
Falar de amor é fácil
Falar de coisas bonitas é agradável
Só que poemas são somente palavras
Palavras da boca para fora
Rimar não é preciso
Ver
Falar
Cheirar
Ornamentar
Cantar
Orar
Viver
Ta vendo como as coisas são?
Vai tudo bonitinho rimando, rimado, estando...
Rimando com o ar que respiramos
Mas no final não dá
Viver não dá
Falar de verdades
Incomoda
Falar a verdade
É incômodo
Escrever sobre problemas
Incomodante
Falar de violência
É normal, banal e vital para quem comunica
Mas por qual motivo ler um poema que fala da dor?
Que descreve seqüestros
Que relata sofreres e desamores e lágrimas e tristeza e maldade e morte...
Pra isso nem leia, ninguém lê
É só abrir os olhos e ver
ver o mundo
se ver
Tem gente que ainda vê na TV
E diz que não é sério e fala que é normal
Tudo é normal
Estamos esperando o próximo acontecimento
Enquanto a próxima vítima não for agente
[se já não é
Está tudo bem
Está tudo ótimo
Ria do que aconteceu ontem
E chore pelo que vai acontecer amanhã
Pode chorar hoje
Dê-me de presente
Viver o presente
Acontecer
Acontece
As redes tece
Conte
Cante
Fique preso,
Prenda-se e seja feliz atrás de suas grades que te escondem o mundo
que te escondem do mundo
que pra você ainda
é imundo
e então
mude

Primavera no Parque

Ontem à tarde fui ao parque municipal. Gente como é bom brincar de ser criança, de ver o tempo passar e sentar no banco debaixo de uma árvore e deixar o vento soprar em nossos rostos e levar com ele as lágrimas que teimam em cair dos olhos que perderam o vigor e a vontade de lutar para viver.
Sentei no banco e fiquei conversando com um amigo, mas sem olhar nos olhos dele. Olhando para o céu, para o ar, para as nuvens, para a grama, olhando para o lago, para o lado, olhando para os árvores, para os transeuntes apressados e outros tão calmos que parecia que a vida não ia acabar no outro dia, e diga-se de passagem, de fato, a vida não acabou – coitado dos que correram infelizmente não apressaram o fim, apenas estressaram-se.
Mas como estava dizendo, conversamos e falamos de banalidades e de coisas sérias, falamos de Deus e do demônio, a conversa passou por temas universais como o amor e a falta deste, e coisas sem importância como política e eleições municipais de Belo Horizonte, e olha que coisa estranha, um "votante", nem sei se esta palavra existe ou se virou neologismo, é bem feio o termo, mas se aplica, continuando, sendo um de Sabará e outro de Santa Luzia discutindo as melhores ou as menos piores propostas para uma terceira cidade, onde o povo foi tão ignorante que conseguiu deixar-se enganar por uma falsa realidade.
Olha o raciocínio dos garotos numa tarde de primavera no parque. No final da conversa chegamos a conclusão de que o povo belo horizontino foi enganado, e conseguiu enganar além deles mesmos até os candidatos a prefeitura, veja o exemplo do primeiro turno: O candidato da situação, Márcio e seus aliados conseguiram colocar os opositores em uma situação no mínimo inusitada. Povo, BH ’tá bem! Minas ’tá ótima! O que é bom tem que continuar! -Verdade?! Poxa! E agora Jô? E agora Gustavo que no início era Valadares, terminou 25!? E agora Quintão? E agora José? Todos concordavam com uma coisa: "A administração atual é boa!" Gente, se o que é bom tem que continuar então o que será dos argumentos de quem vai contra o candidato do governo, ops! do povo? Se os opositores concordam que as coisas estão boas, como criticar, a quem criticar? Perderam assim uma das maiores armas políticas: falar mal das coisas atuais. Falar mal do que é feito pelo outro. Deste modo, caíram em grave erro.
Quem falou para o povo de Belô que as coisas estão boas?! Quem foi que disse que tudo ’tá ótimo!? Alguém falou e nós, até agente que não mora aqui, mas tem que ver propaganda eleitoral dos candidatos da capital, acreditou. É verdade: BH está bem e, portanto qualquer um que ganhar não fará diferença. Torço para que seja verdade! Então uma surpresa, a vitória certa foi derrotada, bom para o povo. Quem sabe? Eis que “Óia gente! Levá as eleição pro segundo turno! Isso dá pra fazê!” O falar errado o sotaque de roceiro e o jeitinho de “bão” moço ou de moço "bobo" como diz o povo humilde e simples dos interiores levou Leozinho para o segundo turno.
Mas quem sou eu pra discutir política, talvez, o antigo Curral Del’Rey não vá eleger alguém que cuida de gado e que diz que cuidará de pessoas, talvez, também não queira mais um patrão no poder, eu por mim entre um belo ator que interpreta um excelente personagem injustiçado e um pseudo-fantoche que foge aos padrões convencionais de candidato politico, prefiro não expressar minha opinião. Deste modo, com estas “maravilhosas” opções reservo-me ao direito de permancer calado e lamento dizer isso, mas, ainda assim, prefiro votar lá na minha corrupta Sabará.
Mas enfim, tenho certeza de que este assunto foi o menos complexo que nos envolveu naquela conversa no parque.
Mais ao final da tarde nos despedimos e passou-se mais uma quarta-feira de mais uma primavera passada no parque municpal, não sem antes, é claro, brincar no escorregador...

Sonhos

Durante um período da vida agente descobre que nossos sonhos embora existam, nem sempre são concretizados e que vários destes se tornarnam grandes desilusões e que nossos desejos nem sempre serão realizados, porque, ao contrário do que muitos tentam acreditar nem tudo é do jeito que gostaríamos que fosse. Mas isto não é motivo para desistir dos objetivos e metas e sonhos e vontades, primeiro porque isto não se trata de uma regra e mesmo se fosse poderia haver exceções.
É importante que se tenha os pés no presente, lembre os erros do passado e o olhar no futuro, mesmo sabendo que nada do que se imagina acontecerá, é fundamental que se trace o que se quer para o amanhã, uma vez que quando se deseja algo, as pessoas passam a lutar mais motivadas, quando se quer alguma coisa, mesmo que pareçam impossíveis, aí sim as pessoas fazem, não digo o impossível, até para não repetir a mesma palavra duas vezes, mas sim, talvez o impensável, o improvável para atingir o ideal.
Ter sonhos é bom, realizá-los é muito bom, mas perdê-los é lamentável, sinal da incapacidade de se ser feliz, e não realizá-los pode ser maravilhoso ou o fim, vai depender de como o sonhador perceberá a situação e sua reação pós-não realização. Quando um sonho não acontece durma novamente e embarque em novas terras, novos sonhos, novas vontades, novos desejos...

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