sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Uma noite

“Cada doença pertence a um doente. Cada doente tem uma mente. Cada mente é um universo infinito.”

Augusto Cury

Há mais de uma semana ela não conseguia dormir direito. E Clarisse adormeceu. A dor fatigava-lhe, não agüentava mais. Há dois anos estava enclausurada naquele hospital. Não recebia mais visitas constantes. Sabia que aquele seria seu último lar. Mas a dor maior era o abandono. Abandonada pelo marido, pelos filhos, pelos amigos, por Deus. Pobre Clarisse! Mas o pior abandono era o dela mesma. Não queria mais viver. Queria que Deus se redimisse dos pecados dele e ao menos fosse justo e a levasse dali. Blasfêmia! Era o que todos diziam quando expressava sua teoria. Mas pouco se importava para a opinião dos outros. Ainda não tinha compreendido porque chegara aquele estado. Não entendera até aquele momento o motivo de sua existência, não queria pensar nisso agora, por qual motivo pensar na vida, quando a morte bate a porta como se fosse arrombar a morada? E naquela noite, ao contrário dos últimos dias, ela pousou a cabeça no macio travesseiro e repousou tão leve e serena como nunca fizera antes... Era o começo...

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