Apenas 4% dos brasileiros têm hábitos sustentáveis

Apenas 4% dos consumidores brasileiros praticam o chamado consumo consciente – modo que extrapola o atendimento de necessidades individuais, levando em conta os reflexos do consumo na sociedade, economia e meio ambiente.

O dado é de uma pesquisa da Cetelem, empresa do setor financeiro, que aplicou a metodologia Teste de Consumo Consciente (TCC) criada pelo Instituto Akatu – que atua com foco na mudança de comportamento do consumidor. O teste considera o cumprimento de 13 comportamentos simples, como apagar as luzes ao sair de um local ou fechar a torneira ao escovar os dentes; quanto mais desses hábitos são seguidos, maior o nível de comprometimento do consumidor. A pesquisa foi realizada entre janeiro e abril de 2010.

Ao todo, 65% dos entrevistados são enquadrados como “iniciantes” – adotam entre três e sete desses comportamentos sustentáveis. Por outro lado, 11% são “indiferentes” sobre o impacto de seu comportamento de consumo em relação ao meio ambiente, praticando, no máximo, dois hábitos sustentáveis. A parcela consciente da população (4%), segundo a pesquisa, adota de 11 a 13 comportamentos.

“São pequenas atitudes, como saber utilizar a energia conscientemente. Desse modo, podemos melhorar o fato de consumirmos 40% a mais do que o planeta permite. A nova geração já tem mais consciência, pois discute a sustentabilidade nas escolas”, avalia o coordenador de mobilização do Instituto Akatu, Ricado Oliani.

O estudo aponta que o nível de escolaridade está diretamente relacionado ao grau de comprometimento do consumidor; quanto mais instruídos, maior o nível de consciência. Já as mulheres são mais comprometidas do que os homens. Nos outros grupos de consumo, no entanto, não há diferença significante entre os gêneros.

O Nordeste e o Sul apresentam-se como os mais indiferentes, enquanto o Sudeste é o mais comprometido. Os iniciantes são, de certa forma, distribuídos uniformemente entre as Regiões. Entre os conscientes, 94% vão aumentar as economias nos próximos 12 meses, percentual que diminui conforme os grupos de consumo, chegando a 70% entre os indiferentes.

A grande quantidade de lixo produzido no Brasil e a pequena quantidade de resíduos reciclados no país indicam quanto os dados da pesquisa preocupam. Segundo uma pesquisa realizada em 2009 pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), a geração de lixo atual é de 1,152 kg por habitante por dia no Brasil, padrão próximo aos dos países da União Europeia, cuja média é de 1,2 kg por habitante por dia.

Ao mesmo tempo, um estudo realizado em 2009 pelo Instituto Ethos apontou que enquanto o Brasil recicla menos de 5% do lixo urbano, nos Estados Unidos o índice é de 40%.

Para o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Gilmar Mauro, o problema é a adaptação da sociedade e sim o modelo econômico em que ela está inserida. “Não adianta idealizar uma vida sustentável para todos porque este sempre irá esbarrar no capitalismo com sua propaganda que incentiva o consumismo. O incentivo ao consumo consciente é importante para conscientizar a população, mas isso não vai resolver o problema”, afirma.

(Envolverde/Aprendiz)

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